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REFLEXÕES, DESERÇÕES E SUSPENSÕES
Fotografias
de RUI PORTUGAL
até 19 de Abril
no
último
dia da exposição contamos com a presença do autor e
estão previstos alguns momentos performativos e musicais
totally live.
Reflexões,
deserções, suspensões
Reflexões,
deserções e suspensões por ou acerca de algumas
fotografias de reflexos, “desertos” ou efeitos
suspensos... o que quer que seja...
Uma
(a) fotografia reflecte-nos a realidade. Suspende-nos uma
fracção de tempo e fixa-o. Regista a realidade desse
instante, retirando-a da realidade, que passou naquele
momento. E aquela realidade, por mais concreta e definida,
deixa de ser real passando para o campo da imagem, da
imaginação, da percepção subjectiva (não necessáriamente
individualizada) e mesmo da evasão, da deserção da
realidade.
Uma
fotografia é uma imagem suspensa no tempo duma realidade
instantânea reflectida no aparelho provocando uma emoção
ou deserção da realidade original.
As
reflexões normalmente provocam simetrias e normalmente as
simetrias são harmónicas, equilibradas, e algumas até dinâmicas.
O objecto interage com a sua imagem chegando a
confundirem-se criando uma nova imagem ou objecto.
E
por vezes, numa reflexão, o objecto e a sua imagem
reflectida ou refractada não são simétricos (não têem
obrigatóriamente que ser) mas sim complementares, não
sendo bem definido onde acaba o objecto real e começa a
realidade da imagem.
Outras
vezes quando inesperadamente nos deparamos com realidades ou
pedaços de natureza assombrosos ficamos suspensos de
espanto (a língua inglesa tem uma expressão muito feliz
para isto que é o termo breath taking ou take the breath
away) e o melhor que conseguimos reagir é fazer o registo
fotográfico dessa imagem, que posteriormente nos faz
desertarmos da realidade actual para reconstituirmos a sensação
vista anteriormente.
Eu não faço fotografia. Eu apenas tiro fotografias. A
realidade já existe, eu observo-a e limito-me a captar pedaços
instantâneos dela registando-os em imagens fotográficas. Não
manipulo ou invento realidades. Da mesma maneira apenos
fotografo a cores porque a realidade é a cores – se assim
não fosse, a luz e a quimica não seriam o que são. A
fotografia a preto e branco, até pode ser mais expressiva
mas raramente é real (quando isto acontece dão óptimas
fotografias).
A
máquina fotográfica é um precioso auxiliar de memória.
Na impossibilidade de fixarmos na memória todas as
realidades que observamos e nos impressiona a vista, podemos
recorrer à fotografia para registarmos parcialmente essas
observações e impressões. Fotografia e memória
facilmente se associam reciproca e mutuamente.
O
objecto fotográfico remonta à realidade, a sua imagem
remete à ficção.
Rui
Portugal
RUI
PORTUGAL Fotografias
ANA PENITÊNCIA Poesias (que acompanham as fotos)
FÁTIMA ACHANDO Poesias (caderno)
Programa Inauguração, 16 de Março:
Performance poética com Ana Penitência
Sessão de improvisação com Rodrigo Amado (t sx) e Nuno
Reis (tp)
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